


Mais uma noite de sono passou. Ouço o jornal batendo na porta da minha casa. Esses jornaleiros, tratando nossa fonte de informação com tamanha brutalidade. Depois de alguns minutos em que tentei, inutilmente, voltar a dormir, concluí que era hora de levantar.
Vou até o guarda-roupa, visto o meu roupão e... espere um pouco. Este não é o mesmo guarda-roupa dos últimos dias. Ou será que é? Ah, que dor de cabeça! Acho que ontem foi uma noite daquelas, porque minha cabeça está latejando.
Percorro maquinalmente o caminho até a porta. Já vou socorrê-lo, pobre jornal, só mais um pouquinho; pronto. A vizinhança ainda dorme. Ah, que bom ver essas casas. Olho para a placa que diz: Rua YN-15; como pode um nome tão frio indicar casas tão belas? O mesmo serve para a Rua dos Colibris, um nome tão alegre para uma rua tão sombria.
Rua YN-15... Rua YN-15??? Eu não moro nessa rua há três meses, desde o meu... divórcio. Não, não; eu devo estar sonhando. Esfrego os olhos para tentar trazer de volta a paisagem da minha varanda. Apareçam prédios escuros, apareçam, por favor! Não é possível. O que eu estou fazendo na casa da minha ex-mulher?! Casa que já foi minha, sim, mas fui proibido de voltar aqui na última vez em que cruzei aquela porta.
Volto para o quarto, lá está ela. Explique-me isso, mulher! Não, não me explique; já entendi tudo: bebi demais outra vez.