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Jogo limpo

Já há algumas décadas os jornais assumiram o papel de imparciais no jogo da transmissão de informação. No entanto, o que se vê é uma postura hipócrita, uma vez que o ser humano emite opinião a cada palavra que escolhe dizer/escrever.

O caso dos jornais atuais é ainda mais complexo do que a escolha das palavras. Envolve divulgar ou ocultar determinado fato ou dado, citar uma ou outra fonte, contar a história dessa ou daquela maneira. Pois é isso que o repórter faz quando escreve e é o que o editor faz quando decide qual vai ser o produto final. Tudo é feito com base nos conhecimentos, crenças, preferências, opções e interesses individuais.

Algumas escolhas são inconscientes, mas grande parte delas não. A imprensa catarinense, por exemplo. No início, os jornais eram usados inescrupulosamente para defender partidos políticos. Todo mundo sabia que tal jornal era a favor do partido tal, enquanto o outro defendia a oposição. Hoje, a guerra não é declarada, mas existe. Então, reafirmo, é hipocrisia. A posição da RBS com relação a muitos assuntos chega a ficar mais nítida nas matérias veiculadas em seus jornais, que nos editoriais de cada meio.

A idéia que defendo - abertamente, sem trapaça - é de que se jogue limpo. Se é pra ter opinião, que seja declarada: o fato é este e as versões são estas; nós somos favoráveis, ou não, por esse e aquele motivo. Isso se chama honestidade. Fica até mais interessante, uma opinião explícita chama a atenção do leitor.

Em tempos de vacas magras, como este que o jornalismo (impresso principalmente) está vivendo, é preciso repensar valores e mudar de tática. Quem sabe essa seja uma boa alternativa.



- Postado por: Aline Franzoi às 11h45
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O eterno provisório

O Congresso Nacional nos deu mais uma prova de que é insensível aos apelos da sociedade a que representa. Com 44 votos a favor, a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória por Movimentação Financeira) foi aprovada para 2011, apesar das manifestações populares para o fim da taxa. Ou seja, brasileiros trabalhadores, pais e mães de família, jovens em início de carreira terão de pagar o tributo por cada movimentação financeira que fizerem pelos próximos três anos.

Boa parte deste resultado contou com a ajuda do Presidente Lula, que, muito convenientemente, abriu a temporada de distribuição de cargos e verbas públicas no mesmo período da tal votação. O Presidente tem interesse na permanência deste imposto, pois é dali que pretende tirar as verbas para o seu Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC – a expectativa é arrecadar R$36 bilhões através da CPMF e o governo tem direito a usar 20% dessa soma como bem entender.

Alegra-se o presidente, desespera-se o contribuinte. A grande ironia é que a idéia original da CPMF, assim como de tantos outros impostos, era reverter a verba em melhorias na saúde e educação e, ao que se percebe, tudo continua igual (se não pior). Então, o cidadão perde metade da renda com impostos, fica sem dinheiro para sustentar suas necessidades primárias e não recebe os serviços prometidos pelo governo. E para onde será que vai esse dinheiro?

Fatos como o do dia 15 reforçam a idéia de que redução de impostos no Brasil é, na verdade, uma utopia. Não vai ser surpresa se daqui a três anos a CPMF for prorrogada outra vez. Então, quando chegar esse dia, ao invés de protesto, que se faça uma sugestão: é preferível trocar o P, de provisório, pelo D, de definitivo, pois essa encenação não engana a mais ninguém.


- Postado por: Aline Franzoi às 11h44
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Punir para educar?

Nesta semana, o Colégio Evangélico Jaraguá, de Jaraguá do Sul, chamou a atenção de meios de comunicação nacionais. O motivo foi a inusitada medida educativa adotada pela escola para que os alunos não falem palavrão. Por cada palavra agressiva dita, os estudantes devem pagar R$0,10. Apesar de curioso, o método criado é digno de observação mais criteriosa.

Corrigir com punição é uma política que sempre gera discussões no meio pedagógico e até mesmo dentro de casa. São muitos os estudos feitos por psicólogos e pedagogos apontando que essa não é a melhor opção na hora de educar. Isso porque, assim como na época das palmatórias, quando as crianças controlavam seus erros para não apanhar, hoje os alunos deixam de fazer algo errado por não querer ter sua mesada reduzida. O risco de elas crescerem com traumas e uma percepção distorcida do certo e errado, de castigo, das relações interpessoais, enfim, da realidade.

Sem falar no constrangimento de ser dedurado pelos colegas que assumem o papel de ‘fiscais’ para o professor. Surge, assim, um clima tenso em um ambiente que deve cultivar o companheirismo, e que inibe a espontaneidade de uma pessoa. É claro que atitudes não muito educadas devem ser abolidas da personalidade que está em formação. Contudo, para ser verdadeiro, isso precisa acontecer a partir da percepção consciente de cada um, e não ser apenas uma reação instintiva a um castigo.

As escolas devem ter o cuidado de analisar esses fatores antes de aplicar medidas desse gênero. Melhor maneira de educar é mostrar ao aluno que soltar palavrões para todos os lados, além de sinal de má educação e até certa agressividade, torna a sua presença desagradável àqueles que o rodeiam. Assim, muito mais do que deixar de usar tais expressões, eles passarão a se observar e até modificar outros hábitos. Nisso é que se constitui a verdadeira educação.


- Postado por: Aline Franzoi às 11h44
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